Manual prático em como enganar os outros

Isto de passar a perna a alguém é tão velho como a humanidade, ou mais velho que a Sé de Braga. Digo passar a perna, porque dizer “enganar os outros” fica mal, “politicamente corretamente” falando.

O que faz alguém passar a perna a outra pessoa? No limite dinheiro. Já vão ver como.

Estive 40 anos da minha vida a observar e não sentia muito na pele. Até 2019 em que percebi que é prática corrente levar algum tipo de vantagem, seja de que forma for, e quando não é dinheiro é ver a pessoa mal, que as pessoas não gostam de perder “nem a feijões”!

Regra nº 1 do Manual: as pessoas fáceis estão nas apps de dating e nas redes sociais

Inscreves-te e começas a dar conversa fácil às pessoas lá. Tipo facebook por exemplo: “Olá. O meu nome é “xxxxx”. Só para dizer que as tuas fotos e frases são inspiradoras assim como o teu sorriso .”. Está quase feito. Depois disso, fazes-te de boa pessoa, menino ou menina de bem, consegues o que queres, sexo sobretudo e pelo caminho mais coisas se quiseres. Tens o direito a engravidar a pessoa se fores homem e depois dás de frosques e nunca mais dizes nada. No limite negas ajuda, e nada explicas porque já levaste dali o que querias. Também podes rebaixar, inventar, defraudar e nada perguntar só para ficares bem. Está feito. Da forma mais simples.

Regra nº 2 do Manual: fazeres-te de coitadinho ou coitadinha, de vítima vá!

Resulta sempre! “Divorciei-me, fiquei com um filho a cuidados e estou a passar dificuldades” ou “o pai do meu filho abandonou-me e é muito difícil”, ou “não recebo da empresa onde trabalho há 6 meses”, ou “estou há 5 anos naquela empresa e pagam-me 600 euros a recibo verde e agora com a pandemia dispensaram-me”, ou “escrevi 7 meses para aquela tipa de graça! E tu adiantaste-me dinheiro na adjudicação, nunca vi!”. Ora bem, isto é tudo bonito, não é? E depois ajuda-se como se pode, e dá-se emprego, e faz-se o possível. No momento em que não se pode, seja por saúde, seja pela razão que for, voltam a ser coitadinhos de novo, defraudados, coitadinhos, para outra pessoa lhes dar mama. E assim sucessivamente.

Regra nº 3 do Manual: pessoas cheias de sonhos e sempre do lado do efeito e nunca da causa

Gosto muito destas. “O meu sonho é fazer “x” ou “y”!”, coisas à partida simples, do tipo: “nunca andei de avião”. Tu podendo, propicias de alguma forma o sonho. Podem ser vários, “sonho escrever um livro”, “sonho viajar até ali ou além”, e coisas que à partida consegues fazer de forma fácil, e fazes, viram-se contra ti. No momento em que não podes momentaneamente e por algum motivo não continuar a impulsionar os sonhos, quer por fazeres contactos quer por financiares até, fazem-se de vítimas, viram o bico ao prego e és o pior do mundo! O que se esquecem é no amanhã… É pena que as pessoas não tenham memória e que julguem que é só ali no agora e que o amanhã não vale nada (nem pensam nele). E claro, nunca são a causa! És tu. Tu é que deixaste de dar e por isso má. Elas trabalhar? Fazer por? Não! “Não tive aquela nota porque a professora não gostava de mim”. “Não fiz porque fui abandonada”. Pelo caminho compactuas com os recibos verdes durante anos e a pessoa que te fez contrato é que leva as culpas… Assim vamos levando.

E tenho uma situação mesmo gira a este propósito: uma pessoa que apoiei e que me acusou de estar a matar os sonhos dela, só porque durante 10 meses não a pude contratar nem promover como ela sonhava. Difamou-me a toda a gente sem provas e só com palavras, virou-se contra mim, fez o que podia porque estava mesmo chateada por eu lhe ter dito que não. Ora bem, há dias fiz-lhe como recrutadora uma entrevista para um emprego de sonho… Dos sonhos dela com certeza ou não se teria candidatado. Nunca sabemos quem nos entrevista, não é? É um risco enorme…

E assim minámos a nossa própria vida…

Perdemos um emprego de sonho num futuro próximo porque a maldade gratuita num passado recente nos contagiou… Perdemos um filho porque emprenhamos pelos ouvidos… Perdemos a oportunidade de sermos alguma coisa que gostamos porque para além de nos fazermos de vítimas e não lutarmos pelo que é nosso e o que queremos, tentamos enganar os outros para fazer por nós… Os outros são enganados até ao dia…

Lembrem-se sempre: o mundo é grande. Corre mal em Portugal porque alguém vos tratou mal? Difamou? O mundo são mais de 220 países e é global. O trabalho e o emprego não estão só cá. E as pessoas tem memória curta. Quando voltares voltas com experiência internacional e força. A memória é curta e o mundo dá tantas voltas. Como a senhora que entrevistei e que quando se sentou comigo quase morreu…

Lembra-te sempre de outra coisa: não prejudicar deliberadamente e conscientemente ninguém. Nem a ti mesmo/a. O resto? Tudo se faz!

Nada dura para sempre! O engano e a maldade seguramente não duram para sempre! Nada dura para sempre, a não ser o amor… Esse passa do sempre para as várias gerações. É nisto que acredito, no amor.

Anabela dos Reis Moreira
About Anabela dos Reis Moreira

Viajou por muitos países, conheceu muitas pessoas e muitos lugares. Aprendeu com todas as pessoas que observou e com quem conversou. Trabalhou em Portugal, na Bélgica, nos EUA e em Angola. Hoje desenvolve o seu trabalho na área da gestão de pessoas (recursos humanos), formação, coaching e mentoring. E escrita, adora escrever. Assumiu diferentes funções e colaborou com empresas em diferentes estados de maturação, quer em ambiente nacional, quer internacional. Desempenhou funções relacionadas com: gestão do talento e tarefas inerentes; gestão de recursos humanos em sentido lato e formação e desenvolvimento. A nível académico, estudou direito na Universidade de Coimbra, mas foi em Psicologia e no Porto que encontrou a sua verdadeira vocação. É certificada em Coaching, PNL e estuda todos os dias mais um pouco, vê mais um pouco, ouve mais um pouco para poder ser mais cultivada. Hoje gere a UpTogether Consulting e trabalha com pessoas, para pessoas. Faz programas de shaping leaders e reshaping leaders e gosta muito do que faz. Costuma dizer às crianças que forma enquanto voluntária em educação para os direitos humanos: “quando mais soubermos, quanto mais conhecemos e sentimos, menos somos enganados”. Enfrenta cada dia com uma enorme alegria que é simples de ver e sentir!

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