Sobre “energias”

Vivia sozinha, era livre, e sempre fui 100% energia, sempre fui 100% soluções, sempre fui 100% positiva e esperançosa.

Li muito sobre energia e energias e toda a gente fala nisso: na vibração que emitimos de boas ou más energias. Nunca liguei. Nunca liguei muito pelo menos. Sei que nada é permanente e que estamos com uma má energia hoje de um dia mais tóxico e amanhã podemos melhorar.

Ultimamente dediquei-me a ler mais sobre estas questões. Muitos coachs dizem que atraímos o que somos e fiquei a pensar que seria má ou maldosa porque ultimamente atraía pessoas dissimuladas e más. Percebi alguns factos com estas questões e depois de muito ler e estudar, e falar com pessoas que percebem de bioenergética, concluo o seguinte:

– Pessoas boas atraem todo o tipo de pessoas: más e boas.

– Pessoas más, atraem pouca gente, mas encostam-se a pessoas boas que lhe possam trazer vantagens.

Fez sentido.

Não sou da rama, sou de ir mais adentro e fui. Percebi que nem tudo é mau e que de facto na minha vida tenho pessoas profundamente boas que sempre me acompanharam e até hoje acompanham. Percebo, no entanto, que falo mais do que me fere do que das pessoas que me dão alegria e energia.

Tento na minha vida não falar mal de quem teve alguma intenção mais aproveitadora e negativa comigo, no entanto, ultimamente tem sido impossível. Decidi hoje, porém, após longa conversa com um grande amigo psicólogo, maduro e analítico, habituado a trabalhar com temas controversos, numa sessão que conversa, aconselhamento e amizade, que deixarei maldades e psicopatias para trás e levarei a minha vida a voltar a ser a pessoa 99% feliz que sempre fui.

Há coisas para as quais não encontramos respostas porque não há respostas. Sempre acreditei no amor, acreditei muito, mas não no amor escravo do orgulho ou da sociedade: do amor verdadeiro e puro, daquele que ouve, atento, apoia e dá alento. Daquele que perdoa e vê para além dos olhares de outros ou outras. Daquele amor que nos dá vontade de chegar a casa, de encostar a cabeça ao outro e descansar. Acredito nesse. No amor que ajuda, que se preocupa e que cresce. Que entende, compreende e enternece. No amor que não tem de ser romântico, de cinema ou televisão, mas tem de ser amor, tem de ser compreensão.

E nesta energia do amor, quase perdi a vida, a minha e a do meu filho. A minha força guerreira de querer sempre compreender, de querer saber, de ir ao centro das coisas (INSIDE), quase acabou comigo e com o meu bebé.

Não há compreensão para as intenções escondidas seja de quem for. Não há compreensão para a desumanidade para o aproveitamento seja do que for e por quem for. Podemos envergar as bandeiras que quisermos ao peito e tatuadas no corpo, se não estiverem na alma, seremos sempre vazios. O que vestimos se está de acordo com o que sentimos e com a forma que agimos, seremos sempre vazios.

Assim, se a minha energia de amor e de compreensão, de querer ver sempre o melhor das pessoas, de as querer puxar para cima, continuar a atrair interesseiros e interesseiras, terei de me preparar melhor, porque continuarei a ser o amor que quero ver no mundo, a compreensão que quero ver e sentir, a atenção que quero dar e receber, e se esta energia boa atrair pessoas más, não será representativo nunca. Tudo o que todos os dias dou ao mundo, partilho ativamente, escrevo, penso e multiplico, dizem mais de mim do que as histórias e estórias que atiram ao ar sem provar. E histórias sobre mim sem mim (?) só fazem crer pessoas tontas e odiosas.

Assim, se fui durante 1 mês energia de desespero, angústia e quase loucura, hoje voltarei a ser o que decidi que seria no dia 31 de dezembro de 2019 na Porta Férrea da Faculdade de Direito de Coimbra: amor. Com amor fui feita e com amor me fiz e refiz todas as vezes que precisei.

Com amor fiz o Amorim que me lembra todos os dias que não pediu para aqui estar ou ser envolvido nas loucuras de quem não o quis.

Com amor seguirei e dentro deste lindo baú que é o amor, continuarei a colocar a minha alegria, todas as cores com que pinto os meus livros, toda a compreensão, toda a atenção que sempre dei, todas as respostas às pessoas que comigo falam, toda a educação, toda a justiça que quero ver e toda a injustiça que quero combater. Porque como li algures “não importa qual é a pergunta, o amor é sempre a resposta”.

E assim voltarei a sorrir como sempre sorri!

Muito amor.

Anabela dos Reis Moreira
About Anabela dos Reis Moreira

Viajou por muitos países, conheceu muitas pessoas e muitos lugares. Aprendeu com todas as pessoas que observou e com quem conversou. Trabalhou em Portugal, na Bélgica, nos EUA e em Angola. Hoje desenvolve o seu trabalho na área da gestão de pessoas (recursos humanos), formação, coaching e mentoring. E escrita, adora escrever. Assumiu diferentes funções e colaborou com empresas em diferentes estados de maturação, quer em ambiente nacional, quer internacional. Desempenhou funções relacionadas com: gestão do talento e tarefas inerentes; gestão de recursos humanos em sentido lato e formação e desenvolvimento. A nível académico, estudou direito na Universidade de Coimbra, mas foi em Psicologia e no Porto que encontrou a sua verdadeira vocação. É certificada em Coaching, PNL e estuda todos os dias mais um pouco, vê mais um pouco, ouve mais um pouco para poder ser mais cultivada. Hoje gere a UpTogether Consulting e trabalha com pessoas, para pessoas. Faz programas de shaping leaders e reshaping leaders e gosta muito do que faz. Costuma dizer às crianças que forma enquanto voluntária em educação para os direitos humanos: “quando mais soubermos, quanto mais conhecemos e sentimos, menos somos enganados”. Enfrenta cada dia com uma enorme alegria que é simples de ver e sentir!

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