Ter ou ser? Eis a questão.

Ambição.

Tantas vezes vilã. Mal falada. Difamada. Espezinhada. Maltratada.

Ambição.

Qual comboio negro capaz de trucidar corpos e almas e afetos, sem dó nem piedade.

Injustas palavras. Injusto o sentimento de repúdio que tantos lhe dirigem.

Tão fácil seria dirigir, a quem me lê, um extenso texto sobre os efeitos nefastos que a Ambição tem dentro de uns e sobre as consequências que, colateralmente, tem na vida de tantos outros.

Falar mal é fácil, ter um discurso negativo e derrotista é ainda mais fácil. E, sobre tais agruras, podemos carpir durante horas ou durante linhas e palavras e letras… eternamente.

A Ambição pode ser a estrada da destruição, é certo.

Mas, para muitos, a Ambição é a estrada do sonho.

Porque não chega sonhar. Não chega querer.

É preciso ambicionar. É preciso querer chegar! Levantar, colocar os pés ao caminho e não ceder ao cansaço, às fraqueza a às intempéries com que nos deparamos diariamente.

A Ambição é isso. É andar sem se saber sequer se há destino. Vislumbra-se somente a meta, ilusória, utópica, que queremos materializar.

Claro que, como em tudo na vida, o Homem tem a enorme capacidade de subverter o que é bom, o que é positivo, mas, demasiadas são as vezes em que, por não usarmos a nosso sentido crítico, demonizamos sem qualquer razão. E demonizamos tudo, desde pessoas a coisas, apenas por desconhecimento e por preguiça de pensarmos mais além.

Ambicionar é e sempre será algo bom e positivo.

A vida deve estar, na medida do possível, do alcançável, repleta de Ambição.

Só não nos devemos perder na Ambição mesquinha do querer TER mais. Não que não seja legítimo, desde que ponderado.

Quem passou fome é normal que queira ter mais. Mais dinheiro e melhores condições de vida para que não volte a passar por necessidades e privações a que tenha sido sujeito/a no passado.

Mas, acima de tudo, devemos ambicionar SER mais. E Ser não no sentido de ser superior em relação a algo ou a alguém, de se ser famoso, importante, carismático, mas sim no sentido de se Ser melhor pessoa, a cada dia. De ser-se capaz de Aprender, de Evoluir, de Crescer.

Ser. Ser-se. Dar. Dar-se. Aos outros e a si.

Ser melhor pessoa, melhor vizinho, melhor pai, melhor mãe, melhor filho ou filha, melhor amigo, melhor profissional, melhor cidadão.

Tantos são aqueles que vivem, uma vida inteira, presos às suas próprias e profundas raízes. Uns por vontade outros por desconhecimento ou por falta de coragem. Muitos por não saberem que podem ir mais além, por não terem quem lhes ensine o caminho ou por não terem a capacidade para acreditarem em si, nos seus sonhos, na vida.

E ser ambicioso é saber, precisamente, quando parar e quando não parar.
O verdadeiro ambicioso deve ter a sagacidade de perceber quando é que o Seu querer se transforma em ganância, em usurpação, em atropelo.

Esta é uma linha ténue capaz de corromper os mais fracos que se perdem nos sinuosos labirintos do “TER mais” e nunca na capacidade abrangente do “SER mais”.

Sejamos, então, os ambiciosos do bem, do positivismo, da alegria, do crescimento individual e espiritual. Do SER, do DAR, do FAZER, MAIS e MELHOR.

Que a nossa Ambição nunca seja travada pelo receio pessoal, pelo julgamento alheio ou pelo medo de falhar.

Mais importante do que cumprir sonhos, é germinar sonhos, é ter sede de amanhã, de futuro e de vida.

Os corações puros jamais se deixarão corromper.

E se te perguntarem: A Ambição é a estrada para o sonho ou o caminho para a destruição?

Responde: Tudo depende do que tiveres dentro do teu coração. 

Raul Tomé ☀ Balthasar Sete-Sóis
About Raul Tomé ☀ Balthasar Sete-Sóis

Raul Tomé é licenciado em Sociologia, Mestre em Ciências do Trabalho e Relações Laborais e Pós-Graduado em Políticas de Igualdade e Inclusão.
Ex-cronista do Jornal Negócios, autor e co-autor de artigos científicos, colabora actualmente com a revista Repórter Sombra.
Tem ainda formação em diversas áreas, entre as quais a Formação de Formadores, Gestão de Tempo, Gestão de Conflitos, Liderança de Equipas e Coaching.
Lançou em 2019 o seu primeiro livro a solo intitulado "Deficiência, Nanismo e Mercado de Trabalho - Dinâmicas de Inclusão e Exclusão".
É criador da página Ipsis Verbis, através da qual realiza resenhas de obras literárias e a divulga citações de relevo, quer de autores nacionais quer internacionais, independentemente da sua dimensão no mundo literário.
É o fundador da página "Balthasar Sete-Sóis", onde partilha os seus escritos e também criador da rubrica "Passa-Palavra", inserida no programa "Amantes da Poesia" da Rádio PopularFm, onde colabora desde 2018.
Colaborou também em diversas colectâneas e antologias realizadas por diversas editoras nacionais.
Actualmente é coordenador literário na In-Finita, sendo responsável pela organização e revisão de uma colecção literária à qual deu o nome de "Ipsis Verbis".

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